Training Peaks realmente oferece algo a mais

Recentemente a assessoria com que treino, Race Consultoria Esportiva, iniciou a utilizar o Training Peaks. No inicio pensei, ok, mais um programinha para ajudar a gerir os treinamentos, porém depois de aprender algumas informações sobre o programa descobri que pode ser uma ferramenta muito importante para balizar o treinamento durante um ano, periodizando fases de treinamento e planejando os picos de performance para as provas chave (talvez por isto o nome Training Peaks!). Em  especial um gráfico disponível no ‘Dashboard’ diz muita coisa sobre o andamento dos treinos e construção de metas. Vejam o gráfico abaixo e não se assustem com a quantidade de informações, na sequencia resumirei o que é importante saber deste gráfico – uma medida chave é CTL (chronic training load). No gráfico abaixo o CTL é a linha azul sombreada

GRAFICO – Performance Management Chart

Performance Management Chart

CONDICIONAMENTO – quero fazer um Ironman abaixo de 10h!!

A ideia por trás do CTL é indicar o nível de condicionamento (fitness). Há correlações que indicam que para terminar um Ironman abaixo de 10h um atleta deveria ter um CTL próximo a 130, por exemplo. Esta correlação mostra que atletas com um CTL de 100 fariam um Ironman em cerca de 11h13. Para chegar a um CLT de 130 um atleta deveria ter um TSS (training stress score) médio diário de 130 durante cerca de 5 meses. CLT é uma media exponencial do TSS, onde os treinos mais recentes tem um peso maior e TSS é uma medida de intensidade de cada treinamento – cada pontinho vermelho no gráfico acima. Quando o pontinho vermelho esta no zero não houve treino aquele dia. [fonte: Gordo Byrn e Alan Couzens do EnduranceCorner.com, link para video abaixo]

FADIGA e POLIMENTO

Atingir este CTL garante a forma ótima para competir? Não. A forma é uma função de condicionamento (CTL) menos fatiga (ATL – acute training load), se o nível de fadiga consistentemente supera o condicionamento a forma é prejudicada. Logo existe mais um indicador importante neste gráfico, a linha amarela, TSB (training stress balance). Num período de treino com menor intensidade do que a media a redução da fadiga é maior do que a perda de condicionamento, por isto o período de polimento, ou tapering, é importante para ‘monetizar’ os ganhos de condicionamento e estar em plena forma. A TSB é a ATL – CTL. Quando a TSB é negativa a fatiga é maior que o ganho de condicionamento, logo para uma competição o ideal é que o TSB esteja entre zero (ou pouco negativo) e 25, ou seja com o condicionamento maior que a fadiga.

O PULO DO GATO

A leitura deste gráfico é ainda mais impressionante do que acompanhar o histórico de CTL e TSB, é possível ‘programar’ a planilha e prever os resultados desejados! Basta indicar qual o nível de TSS planejado para os treinamentos futuros e o Training Peaks estima o CTL e TSB futuros. Os dados futuros (projetados) são as linhas pontilhadas do gráfico.

RESUMINDO

Com base nestes dados como utilizar o gráfico? Uma opção é ter um CTL alvo e construí-lo no período disponível, sabendo que uma media diária dos TSS convergirá no mesmo CTL em 5 meses (TSS médio diário de 5 meses de 100 = CTL de 100), em 3 meses o condicionamento estaria em um CTL de 80% da meta (TSS médio diário de 3 meses de 100 = CTL de 80)(fonte). Contudo, ao longo do caminho haverá períodos de polimento onde haverá redução da intensidade dos treinos e consequente redução da fadiga sem a perda de condicionamento, ou seja, períodos onde o TSB deve atingir 0 a 25 (obviamente enquanto estiver aumentando a intensidade o TSB estará negativo).

QUE SOPA DE LETRINHAS! O QUE SIGNIFICA TSS, CTL, ATL e TSB?

TSS (os pontinhos vermelhos no gráfico são sessões de treinamento – haverá um TSS para cada sessão de treinamento com base na duração e intensidade relativos ao limiar individual [Lactate Threshold, Functional Threshold Power ou Functional Threshold Pace])

CTL (linha azul sombreada – condicionamento medido pela média exponencial dos TSS)

ATL (linha rosa – fatiga acumulada medida pela media exponencial dos TSS)

TSB (linha amarela – diferença entre fatiga (ATL) e condicionamento (CTL), sendo que um numero negativo indica fatiga maior do que condicionamento).

Maior detalhamento no Training Peaks.

Obviamente existem uma serie de limitações uma vez que os dados utilizados pelo programa são bastante limitados para efetivamente medir a fatiga, por exemplo, que também dependerá do nível de stress, regime de sono, entre outros. Também os cálculos tomam como base zonas alvo de potencia, que se mal calculadas irão influenciar negativamente a precisão dos resultados. Enfim, há limitações muitos grandes ao calculo, porem inegavelmente é uma ferramenta bastante poderosa e com a experiência do usuário obviamente haverá um refino cada vez maior no seu uso.

TRAINING PEAKS VIDEO ON THE PERFORMANCE MANAGEMENT CHART

 

DETAILED VIDEO ON TARGETED TSS FOR IRONMAN TRAINING (source of information mentioned above)

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1 comentário Adicione o seu

  1. Robson disse:

    Fera! Melhor entendimento da plataforma que vi até o momento. Me ajudou muito a compreender as possibilidades do training peaks

    Curtido por 1 pessoa

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