O que aprendi em 10 anos buscando o Tênis Perfeito…

8Quanto menor, melhor… Aprendi muito sobre marcas, modelos, solas, tipos neutros ou com suporte, maximalistas, minimalistas, alem de tudo que acompanha a corrida, técnica, cadencia, treinos, e, por fim, como não poderia faltar, as dores e tratamentos para canelite, fascite plantar, inflamação do aquiles, câimbras, etc. No final das contas eu evolui muito na corrida e dentro desta evolução testei muitos modelos e marcas que marcaram momentos e necessidades especificas. A busca é assim, dinâmica, e pelo caminho tive meus motivos e percepções para adotar ou abandonar vários modelos: Asics, Mizuno, Saucony, Nike, Adidas, K-Swiss, On, New Balance, Newton. Ha também a curiosidade de modelos que ainda gostaria de experimentar, como Altra e outros.

Alem do futebol, tenho a impressão que o tênis também é uma paixão nacional, desde cedo, adolescentes os tem como uma expressão de si. Eu fui assim, e meu sonho era conseguir com que meu pai e ou algum amigo viajasse aos Estados Unidos para comprar o último modelo importado, Asics Gel, Nike Air, por exemplo. Poucos critérios interessavam a não ser a possibilidade de consegui-los e se eram bonitos para serem exibidos por ai.

Minha lembrança mais recente de buscar mais criteriosamente um modelo especifico veio bem mais tarde. Por volta do ano 2006 ou 2007, experimentei modelos da Asics e Mizuno. Foi a primeira vez que ouvi falar que havia passadas diferenciadas entre pronado, neutro e supinado, e deveria ter isto em mente para escolher o modelo especifico. Por estar acima do meu peso resolvi “investir” num modelo premium que oferecesse bastante proteção, assim optando pelo Mizuno Wave Creation – demoraria alguns anos até que percebesse a grande besteira que eu estava fazendo escolhendo um tênis tão estruturado. Enfim, nesta época também tive um Asics Gel Cumulus 5, era macio demais para meu gosto e sentia que tentava compensar a falta de firmeza na pisada com meu tornozelo, que ficava tenso e dolorido durante as corridas.

Morava no Rio de Janeiro e já era bastante competitivo. Não, eu não era rápido, pelo contrário, eu era muito devagar. Mas tinha um baita animo e era implicante, não suportava que alguém me ultrapassasse, competia com todo mundo (mesmo que não soubessem eh eh). Minha primeira meta era terminar 5k abaixo de 30 minutos, não tive exito na primeira tentativa, correndo no aterro do Flamengo – Circuito das Estacoes Adidas. Não entendia como poderia me tornar mais rápido e cheguei a achar que no máximo teria ganhos marginas, mesmo com muito treinamento.

Eu tinha escolhido o tênis “da forma correta”, melhorara minha alimentação, perdi peso e treinava 2 vezes por semana numa pista de atletismo, mesmo assim minha corrida não evoluía de forma consistente. Com o tempo percebi um incomodo no joelho que não ia embora. Prestando atenção na passada e nos treinos cheguei à conclusão de que o tênis que utilizara poderia estar causando aquele desconforto, nesta época já estava no meu segundo Waze Creation – um modelo todo dourado, bem bonitão. A sola era muito alta e estruturada, o tenis pesado e sem flexibilidade, não me permita ter uma passada eficiente, fazendo com que aterrissasse com o calcanhar e meu joelho absorvesse o impacto da passada. Coloquei na cabeça que a cada tênis eu comprasse iria fazer uma transição para modelos menos estruturados com solas menores e avaliar se isto ajudaria na minha forma. No final das contas eu estava no caminho certo. Olhando em retrospecto, sou da opinião que o Wave Creation é um tênis para quem não sabe correr, e não esta disposto a aprender, ele é tão estruturado que impede a evolução do corredor.

Continuei com a Mizuno, porém comprei um modelo com a sola mais baixa, Waverunner, talvez!? não tenho certeza do nome. Era um bom tênis, minha técnica e dores melhoraram marginalmente. Contudo, já havia deixado o Rio de Janeiro, e com a mudança de rotina, a corrida ficou um pouco de lado. Agora, em São Paulo, as vezes me aventurava a correr da Praça Benedito Calixto até o Ibirapuera, via Avenida Brasil, mas não era algo muito rotineiro e estagnei, parei no tempo.

O INICIO DA EVOLUÇÃO

Minha primeira grande evolução na corrida estava prestes a chegar. Foi na sequencia de uma viagem aos Estados Unidos. Estava viajando a trabalho e numa tarde de folga acompanhei um amigo meu a uma loja especializada em modelos de corrida. Aproveitei a ocasião e conversei com um dos vendedores sobre minha situação: “tenho a pisada neutra, ainda tenho receio de utilizar tênis com a sola muito baixa, porem estou fazendo a transição para modelos menos estruturados”. Ele me sugeriu o Saucony Triumph 10. A proposta da Saucony na linha que havia reformulado naquele ano era reduzir o drop da sola. O Triumph é um tênis de acabamento premium, com a sola farta, porem a diferença de altura entre as partes traseira e dianteira do tênis é de 8mm ao invés do tradicional 12mm. O que eles anunciavam era que este drop favorecia uma passada mais natural com a entrada mais para o meio e/ou parte anterior do pé, ao invés do calcanhar. Ainda lembro do vídeo que encontrei no Youtube na época:

Saucony Geometry of Strong

 

Retornando ao Brasil, desta vez em Brasilia, calcei meias confortáveis, meus Saucony novinhos e parti para a corrida, quando experimentei o tênis ainda não havia assistido este vídeo, então não havia sido influenciado pelas informações. Nos primeiros 500m eu tive uma revelação!! as passadas eram fáceis e confortáveis, e principalmente, lembrei dos exercícios e dicas que recebi como instrução treinando na pista quando ainda morava no Rio. Senti que finalmente caiu a ficha e toda aquela bagagem de treinamento de repente passou a funcionar, agora eu estava com a ferramenta certa. O Saucony me permitia correr de forma mais natural, entrar com a parte mas central/anterior do pé ao invés do calcanhar, assim me tornei mais eficiente e sem as dores no joelho. Para garantir uma rotina de treinos sem me machucar passei a correr em dias alternados, terças, quintas e sábados, intercalando caminhadas nos dias em que não corria. Minha unica reclamação em relação ao Triumph é que, com o tempo, passei a achar a sola muito volumosa, mas apesar disto não era tao pesada quando o tamanho poderia sugerir. Fora isto, achava o tênis quase perfeito – tive 3 (cheguei a ter o Triumph 11, mas era mais duro e não gostei tanto quanto o 10). O drop menor que a Saucony oferece em alguns modelos é uma ferramenta superimportante para corredores que estão tentando aprimorar a técnica e reduzir o uso de tênis altamente estruturados, mas ainda precisam de proteção considerável contra impacto.

 

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Estabeleci algumas metas para o ano de 2013, melhorar meu recorde pessoal dos 10k de 56 minutos para abaixo de 50 minutos e participar da prova mais longa ate então, a São Silvestre, 16k. Nesta jornada resolvi testar outra solução que surgiu no mercado, os tênis Adidas com solado Boost. O primeiro a ser lançado foi o Adidas Energy Boost, experimentei na loja e fiquei encantado, a sola absorvia impacto, era leve, mas ao mesmo tempo tinha uma reposta rápida e explosiva. Passei a revesar entre o Saucony Triumph e Adidas Energy Boost nos meus treinamentos. Com o Energy Boost sentia uma falta de flexibilidade na sola, não oferecia nenhuma torção lateral, além do que sentia falta de algum suporte para o arco do pé no limite da passada. Um modelo posterior, o Adidas Supernova Glide Boost (na foto acima) resolveu este problema do suporte com uma pequena concentração de EVA posicionado embaixo do arco. Se tornou um dos meus tênis preferidos, já estou no segundo. Tenho um Adidas Ultraboost, modelo no qual foi endereçada a falta de flexibilidade lateral da sola por uma abertura no meio do solado Boost, que ajudou, mas de forma geral, para mim o tênis tem o solado muito volumoso, parece um pouco pesado e tem um cabedal que pode apertar um pouco o peito do pé.

Adidas Boost – Responsiveness and Soft Cushioning Together at Last

 

Durante o ano passei a treinar bicicleta e natação já pensando em participar do meu primeiro triathlon. Meu recorde dos 10k abaixou para 51 minutos e participei da São Silvestre com louvor. A partir dai passei a pesquisar qual seria o tênis ideal para meu primeiro triathlon. Tentei o Adidas Adios Boost, mas a sola era muito fina e sentia que precisava de mais proteção, testei o Nike Free 5.0, e o resultado foi o mesmo, sentia que precisava de mais sola para amortecimento.

Finalmente, influenciado pela vitória de Mirinda Carfrae no Ironman Hawaii, resolvi experimentar a marca de tênis que ela utilizou, a K-Swiss e encontrei um tênis perfeito: o Kwicky Blade Light. Muito leve, porem com um sistema de laminas (blades) na sola que dão um grande conforto e ao mesmo tempo uma passada leve e rápida. Alem disto o tênis é bem aerado e tem buracos na sola para drenar água. é perfeito para provas de triathlon. Fiz minha estreia no triathlon com este modelo, e fiz meu primeiro Ironman 70.3 também com um K-Swiss Kwicky Blade Light (meu segundo, na foto acima).

 

Entre 2014 e 2015 cheguei aos 47 minutos para 10k e minhas metas se tornaram mais agressivas, o que exigiria um rotina de treinos mais engajada. Me uni a Race Consultoria Esportiva e passei a colecionar recordes atrás de recordes, na corrida e bicicleta. Porem a evolução na corrida teve lá seus problemas. Experimentei dores no meu tendão de aquiles. Pesquisando pela net descobri que alguns profissionais vinham correlacionando dores no aquiles ao uso de tênis com um drop menor. Toda uma vida de calçados inadequados e horas passadas sentado na frente do computador contribuem em grande forma para a falta de flexibilidade do alquiles, que pode sofrer com a mudança de tênis.

Minha solução para resolver as dores no tendão de alquiles foram um bike fit, alongamento, e passei a trabalhar parte do dia em pé. No bike fit com o Gabriel, examinou meus pés, viu que meu calcanhar era bem travado no pé em que eu reclamava das dores de alquiles. Ele fez alguns exercícios para soltar o calcanhar e a partir deste dia não tive mais problemas. Ao mesmo tempo havia chegada ao fim uma temporada de corridas e comecei a pensar no ano de 2016, era a hora para escolher o tênis da temporada. Como minha técnica já estava bem mais aprimorada, resolvi dar mais um passo mais agressivo e experimentar o Newton, que tem uma proposta bem diferente de outros tênis. O crash-pad e ponto de contato com solo que oferece o retorno de energia fica na parte anterior do tênis e não na traseira em baixo do calcanhar.

 

Eu consegui um par de Newtons emprestados para não precisar comprar as escuras um tênis com uma proposta tão diferente. Experimentei na esteira, numa corrida por 30 minutos. Na sequencia fui para uma corrida de 5k moderada e outro dia uma corrida de 6k com o pace um pouco mais rápido. Eu adorei o tênis, ele e muito rápido e explosivo. Eu tinha muito receio de que a falta de apoio na parte de traz do tênis fosse trazer minha dor no alquiles de volta, mas eu estava errado. Dor zero no alquiles, comprei um Newton Motion IV e parti para a temporada. Durante a temporada tive câimbras em algumas corridas, que podem ter sido causadas por falta de liquido, falta de eletrolitos, fadiga muscular, etc. Resolvi experimentar com outro modelo Newton para ver se me auxiliaria a evitar estas câimbras — Newton Energy NR, que tem uma sola mais alta e tem o sistema de logs um pouco diferente, me senti mais confortável. Isto deve ser devido, também, ao apoio de EVA ao arco do pé, que é mais substancial do que em outros modelos. Me acostumei bem com o Energy NR e passei a utiliza-lo nas provas, apesar de não ser tão rápido quanto o Motion IV. Porem, não ajudou em nada a evitar câimbras.

OS NEWTON SÃO OS TÊNIS PERFEITOS OU A PROCURA CONTINUA?

Bem, como a introdução ao texto sugere, a busca nunca acaba. Recentemente outro incômodo me levou de volta a pesquisar técnica de corrida e estilos de tênis – a fascite plantar!!! Em alguns treinos de pista ela foi chegando devagar. Porem certo dia, havia corrido a 5 etapa do Trofeu Brasil, fiquei uma semana de repouso e quando retornei à pista, fui com meu velho Saucony Kinvara 3. Foi um treino tranquilo, sem preocupar com o pace e mantendo o batimento cardíaco abaixo de 150 bpm. Apos o treino, durante o dia, passei a sentir a dor que aumentava enquanto o corpo esfriava e aqui estava uma cruel a dolorida fascite plantar. Veio de vez, a noite doía tanto que eu não conseguia andar. Fiz o tratamento usual que consiste principalmente em gelo e não pisar no chão descalço. Nas minhas pesquisas dentre varias coisas me alarmou foi a indicação de que a fascite plantar pode ser causada por tênis em que os dedos ficam muito apertados. Isto reduz a capacidade do pé de se estabilizar nas passadas e cria um movimento exagerado de flexão e rotação do arco para baixo e para dentro, podendo causar a fascite plantar. Passei a levar em consideração, então, o espaço para os meus dedos abrirem nos tênis que uso, evitanto tênis que deixam os dedos apertados.

Ainda estou me recuperando, tirei da gaveta o Nike Free 5.0, pois lembrei que deixam os dedos bem soltos, corri com eles 30 minutos na esteira e posteriormente 5k na rua. Me senti bem, a dor foi pequena. Vi que era possível continuar na recuperação utilizando estes tênis. Ao mesmo tempo descobri os Altra, cuja a proposta e exatamente um tênis que deixa com que os dedos da frente se espalhem durante a passada. Fiz o pedido online, para um par de Impulse, que também tem algum suporte para o arco. Ainda aguardo o tênis chegar, quem sabe estes serão meus tênis para a temporada 2017? Seguindo a experiencia bem sucedida com o Nike Free, penso também em avaliar o Flyknit 3.0. Vamos ver.

O QUE CONTINUO A BUSCAR

Busco me tornar cada vez mais rápido e mais eficiente na corrida, e obviamente, ter menos lesões durante esta busca. Cada vez mais estou convencido de que quanto menor e menos estruturado for o tênis, mais próximo estarei deste objetivo. A grande evolução que deve ocorrer com a técnica de corrida culminará em eliminar o uso de calcados. Sim, o famoso barefoot running, ou corrida sem calçados, seria o ponto máximo de evolução na técnica de corrida. Não que eu pretenda um dia competir descalço, mas acho fundamental conseguir correr confortavelmente sem tênis, esta é a indicação de uma técnica eficiente de corrida.

QUAIS TÊNIS NAO FUNCIONARAM PARA MIM:

O primeiro deles foi o New Balance Fresh Foam. Deveria ser um tênis maximalista, mas não achei o solado confortável (que me parece contra-intuitivo). Além disto o tênis parece muito volumoso e me trouxe um incomodo no calcanhar que não sentia ha muito tempo. Acho que os tênis com solado boost o substituem com louvor.

On Cloudrunner, o sistema de clouds é bem interessante, mas o tênis em si não fez sentido para mim. Achei pesado e desconfortável, não consegui correr mais de 10k sem arriscar bolhas tremendas. Novamente, os adidas Boost (ultraboost ou energy) o substituem com louver. Por  outro lado, tenho um On Cloud, que é um tênis muito leve e ágil que gosto bastante, mas acabo não o utilizando para provas, so treinamentos rápidos.

 

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3 comentários Adicione o seu

  1. Daniel disse:

    Oi amigo! Parabéns por essa jornada de 10 anos, aprendi muito com você lendo seu post. Mas tenho uma pergunta. Você escreveu “…e tem um cabedal que pode apertar um pouco o peito do pé.” se referindo ao adidas ultraboost. Eu comprei um hoje, acabei de fazer minha primeira corrida (7 km) e senti essa dor no final.
    Você tem alguma solução para essa dor? Devo amarrar o cadarço de alguma forma especial ou devo trocar por um número maior ?

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    1. Oi Daniel. Pelo que lembro do Ultraboost o cabedal de mash agarra bem o pé. Daria para correr com o cadaco bem folgado. Se mesmo assim ficar apertado Talvez fosse o caso de experimentar um tamanho maior.

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  2. Daniel disse:

    Obrigado Erik!

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